Evangelho do Dia
Devocionais ACF (Almeida Corrigida Fiel) • 4 min de leitura

Salmo 121 Devocional — O Guarda de Israel Não Tosquenejará

Devocional do Salmo 121, o cântico de quem subia a Jerusalém. A pergunta escondida no primeiro versículo, os montes onde estavam os outros deuses, a palavra "tosquenejar" e a promessa para a entrada e a saída de todo dia.

Diego Soares
Diego Soares
Estrada de Pedra Subindo entre Montes Áridos da Judeia ao Fim da Tarde

São três da manhã e você está acordado de novo, olhando para o teto e repassando a mesma lista. Alguém nesta casa tem de ficar de vigia, e parece que esse alguém é você. O Salmo 121 foi escrito para essa hora, e este devocional do Salmo 121 começa justamente pelo versículo de quem não dorme.

“Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel.” Salmos 121:4

Para onde o peregrino olhava

O Salmo 121 é um dos cânticos dos degraus, que o povo cantava subindo para Jerusalém nas festas. A estrada passava por montes, e a primeira coisa que o salmista faz é levantar os olhos para eles: “Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro” (Salmos 121:1).

Lido assim, parece que o socorro vem dos montes. Só que no hebraico a expressão é uma pergunta, me’ayin, “de onde?“,2 e é por isso que outras traduções põem o ponto de interrogação: de onde me virá o socorro? A resposta vem logo no versículo seguinte: “O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra” (Salmos 121:2).

A pergunta faz sentido quando a gente lembra o que havia nos montes. Era lá em cima que os israelitas infiéis montavam os altos, os santuários dos outros deuses.3 O peregrino olhava para as alturas cheias de altar e perguntava de onde viria a ajuda, e respondia que vinha de quem fez as alturas.

Quem cochila e quem não cochila

A ACF guarda uma palavra que quase ninguém usa mais: tosquenejar. Quer dizer cabecear de sono, aquela pescada de quem tenta ficar acordado e não consegue. “Aquele que te guarda não tosquenejará” (Salmos 121:3), e no versículo seguinte, para não sobrar dúvida, nem dormirá.

Elias usou a mesma ideia como zombaria no monte Carmelo. Os profetas de Baal gritavam desde a manhã, e ele provocou: “talvez esteja dormindo, e despertará” (1 Reis 18:27). O deus dos montes podia estar dormindo! O Deus de Israel, não.

E olha só a palavra que o salmo mais repete. O verbo guardar aparece seis vezes em oito versículos, nos versículos 3, 4, 5, 7 (duas vezes) e 8.4 É a mesma palavra de quem fica de sentinela.2 Portanto, a vigília das três da manhã já tem dono: o guarda de Israel.

O sol, a lua e a direita

“O Senhor é a tua sombra à tua direita. O sol não te molestará de dia nem a lua de noite” (Salmos 121:5-6). Para quem subia a pé, o sol do meio-dia era ameaça de verdade, e a queda de temperatura à noite também. Israel contava o tempo pela lua, de modo que sol e lua também querem dizer os dias e os meses.4

O salmo conta com o sol na estrada e põe sombra no meio dele, à direita, colada em quem caminha.

Da porta de casa para fora

O último versículo desce do caminho de Jerusalém para a rotina: “O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre” (Salmos 121:8). Entrar e sair é o vaivém comum da vida, o ônibus das seis, a volta do trabalho, o filho que sai de carro à noite.

Agora, se Deus guarda a entrada e a saída, sobra uma pergunta para a madrugada: quem você está deixando de vigia na sua casa? Vale a pena devolver o turno a quem não tosqueneja. Dormir também é um ato de fé, porque é admitir que o mundo continua de pé sem você acordado.

O Salmo 121 não faz do peregrino alguém que nunca tropeça. Faz dele alguém que sabe para onde olhar quando os montes estão cheios de outras respostas.

Senhor, eu tenho ficado de guarda numa casa que é Tua. Esta noite eu devolvo o turno: guarda a minha entrada e a minha saída, e me deixa dormir sabendo que Tu não cochilas.

Amém.

Fontes

  1. As citações seguem a Almeida Corrigida Fiel (ACF).
  2. Léxico hebraico TBESH (STEPBible, CC BY 4.0), verbetes H0370 (‘ayin, “de onde?”) e H8104 (shamar, guardar, vigiar).
  3. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. III — Poéticos. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 316.
  4. Ibid., p. 317.
Tags: #Salmos #Salmo 121 #Proteção de Deus #Devocional

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