Evangelho do Dia
Devocionais ACF (Almeida Corrigida Fiel) • 4 min de leitura

Salmo 46 Devocional — Aquietai-vos, e Sabei que Eu Sou Deus

Devocional do Salmo 46, o salmo que inspirou o hino "Castelo Forte". Um rio numa cidade sem rio, uma manhã em que o inimigo amanheceu morto e o que "aquietai-vos" quer dizer de verdade.

Diego Soares
Diego Soares
Arco e Lança Quebrados Abandonados no Chão de um Campo ao Amanhecer

Muita igreja ainda canta Castelo forte é nosso Deus, o hino que Martinho Lutero compôs inspirado no Salmo 46.2 O salmo, porém, começa antes do castelo: com a terra mudando de lugar e os montes caindo no mar. Este devocional do Salmo 46 é para a semana em que o chão parece se mexer.

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.” Salmos 46:1

Quando os montes caem no mar

O salmista não economiza no tamanho da catástrofe: “ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares” (Salmos 46:2). E a resposta vem antes da descrição terminar: portanto não temeremos.

O termo por trás de angústia, no versículo 1, descreve quem ficou apertado num canto, sem por onde sair.3 Infelizmente é um lugar que todo mundo conhece: o diagnóstico, a demissão, a conta que venceu junto com a outra. O salmo admite o canto e diz quem está nele com você, e repete duas vezes, como refrão: “O Senhor dos Exércitos está conosco” (Salmos 46:7, 11).

Um rio numa cidade sem rio

Depois do mar furioso, o salmo muda de água: “Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus” (Salmos 46:4). Só que Jerusalém nunca teve rio. O que ela tinha era a fonte de Giom e o canal que levava a água para dentro dos muros, obra do rei Ezequias (2 Reis 20:20).3

Isaías usou essa mesma diferença de águas. Ele comparou o socorro de Deus às “águas de Siloé que correm brandamente” e a invasão da Assíria às “águas do rio, fortes e impetuosas” (Isaías 8:6-7). O salmo coloca as duas lado a lado: lá fora, o mar que ruge; aqui dentro, um fio de água que ninguém vê de fora e que não seca durante o cerco.

A manhã em que o inimigo não acordou

O versículo 5 diz que Deus ajudaria a cidade “já ao romper da manhã”. Wiersbe liga o salmo ao cerco de Senaqueribe, quando Jerusalém estava cercada pelos assírios e Ezequias só tinha oração.3 E foi de manhã que a cidade viu a resposta: “quando se levantaram pela manhã cedo, eis que todos estes eram corpos mortos” (Isaías 37:36).

Por isso o convite do versículo 8 é para olhar um campo: “Vinde, contemplai as obras do Senhor”. Arco quebrado, lança partida, carros queimados (Salmos 46:9). Ninguém de Jerusalém tinha lutado.

O que aquietai-vos quer dizer

É nesse campo de armas quebradas que vem o versículo 10: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Salmos 46:10).

Costumamos ler como convite à meditação em silêncio. No hebraico, o verbo é raphah, soltar, deixar cair, afrouxar as mãos.4 É uma ordem para gente com alguma coisa agarrada: larguem. Wiersbe traduz o sentido como não mexam em nada.3 E a tradução grega antiga usou um verbo curioso, scholazō, ter tempo livre, o mesmo de onde veio a palavra escola.4

Basta olhar o contexto para ver a quem a ordem serve. Às nações em guerra, ela diz: soltem as armas, a guerra acabou. A Ezequias e ao povo cercado, diz: soltem as mãos, quem luta aqui sou Eu.

O que você está segurando

O que está nas suas mãos esta semana, apertado com força de quem acha que, se soltar, tudo desaba? Pode ser o controle de uma situação que já não é sua, a resposta que você quer arrancar de alguém ou a solução que você ensaia todo dia antes de dormir.

O Salmo 46 não pede passividade a quem deve agir. Pede que as mãos se afrouxem onde a batalha já é de Deus, e que o coração aprenda, nesse tempo livre, quem Ele é.

Senhor dos Exércitos, eu estou agarrado a uma luta que não me cabe. Abre as minhas mãos, me deixa ver o Teu rio no meio do cerco e me ensina a esperar a manhã.

Amém.

Fontes

  1. As citações seguem a Almeida Corrigida Fiel (ACF).
  2. Bíblia de Estudo de Genebra. 1ª ed. São Paulo; Barueri: Cultura Cristã; Sociedade Bíblica do Brasil, 1999, nota em Salmos 46, p. 645.
  3. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. III — Poéticos. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 176-177.
  4. Léxico hebraico TBESH e grego TBESG (STEPBible, CC BY 4.0), verbete H7503 (raphah) e Salmos 46:10 na Septuaginta (scholazō, G4980).
Tags: #Salmos #Salmo 46 #Refúgio #Devocional

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